Aterro Sanitário
Sábado, Abril 19, 2008:
Trechos dum cara que adoro, Whitman:
Eu celebro o eu, num canto de mim mesmo,
E aquilo que eu presumir também presumirás,
Pois cada átomo que há em mim igualmente habita em ti...
....
Achaste que mil acres são demais? Achaste a terra grande demais?
Praticaste tanto para aprender a ler?
Sentiste tanto orgulho por entenderes o sentido dos poemas?
Fica esta noite e este dia comigo e será tua a origem de todos os poemas,
Será teu o bem da terra e do sol (há milhões de sóis para encontrar),
Não possuíras coisa alguma de segunda ou de terceira mão, nem enxergarás através do olhos de quem já morreu, nem te alimentarás outra vez dos fantasmas que há nos livros.
Do mesmo modo não verás mais através de meus olhos, nem tampouco receberás coisa alguma de mim,
Ouvirás o que vem de todos os lados e saberás filtrar tudo por ti mesmo.
.......
ouvi a conversa dos falantes, a conversa sobre o início e sobre o fim,
Mas não falo nem do início nem do fim.
Nunca houve mais iniciativa do que há agora,
Nem mais juventude ou idade do que há agora,
E jamais haverá mais perfeição do que há agora,
Nem mais paraíso ou inferno do que há agora,
O anseio, o anseio, o anseio,
Sempre o anseio procriador do mundo.
.....
Traiçoeiros e curiosos estão à minha volta
Pessoas com quem me encontro, os efeitos que a minha infância tem sobre mim, ou o bairro e a cidade em que vivo, ou a nação,
As últimas datas, descobertas, invenções, sociedades, autores antigos e novos,
Meu jantar, roupas, amigos, olhares, cumprimentos, dívidas,
A indiferença real ou fantasiosa de um homem ou mulher que eu amo,
A doença de alguém de minha gente ou de mim mesmo, ou ato doentio, ou perda ou falta de dinheiro, depressões ou exaltações,
Batalhas, os horrores da guerra fratricida, a febre de notícias duvidosas, os terríveis eventos;
Essas imagens vêm a mim dia e noite, e partem de mim outra vez,
Mas não são o meu verdadeiro Ser.
Longe do que puxa e do que arrasta, ergue-se o que de fato eu sou,
Ergue-se divertido, complacente, compassivo, ocioso, unitário,
Olha para baixo, está ereto, ou descansa o braço sobre certo apoio impalpável,
Olhando com a cabeça pendida para o lado, curioso sobre o que está por vir,
Tanto dentro como fora do jogo, e o assistindo, e intrigado por ele.
No passado vejo meus próprios dias quando suei através do nevoeiro com lingüistas e contendores,
Não trago zombarias ou argumentos, apenas testemunho e aguardo.
Carlos Brandão // 19:06 //
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Segunda-feira, Abril 07, 2008:
Pra variar, Paulo Leminski.. rsrsr
1)
nunca sei ao certo
se sou um menino de dúvidas
ou um homem de fé
certezas o vento leva
só dúvidas ficam de pé
2)
o amor, esse sufoco,
agora há pouco era muito,
agora, apenas um sopro
ah, troço de louco,
corações trocando rosas,
e socos.
Carlos Brandão // 12:41 //
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Sábado, Abril 05, 2008:
Tem de tudo na net..
E a cada dia aparecem mais e mais textos assinados por pessoas famosas, mas que nunca serão delas.
São textos medíocres, indicados como de grandes escritores..
Essa frase me foi enviada como sendo de Fernando Pessoa.
Eu acho que nunca foi dele...
Leia e defina:
Ser feliz é encontrar força no perdão, esperança nas batalhas, segurança no palco do medo, e amor nos desencontros.É agradecer a DEUS a cada minuto pelo milagre da vida."
(Fernando Pessoa)
Pode??
Carlos Brandão // 20:38 //
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Sexta-feira, Abril 04, 2008:
No orkut, pedem pra vc completar a frase "quem sou eu".
Um cara colocou um texto massa.
Vamos imaginar o cenário:
Quem sou eu:
"Quem tem consciência pra se ter coragem
Quem tem a força de saber que existe
E no centro da própria engrenagem
Inventa a contra mola que resiste
Quem não vacila mesmo derrotado
Quem já perdido nunca desespera
E envolto em tempestade decepado
Entre os dentes segura a primavera".
Achei massa e fui no google, ver que diabo era isso.. rsrs
E deu lá que é uma canção dos Secos e Molhados.
Que letra bacana... que poema bonito.
Carlos Brandão // 16:07 //
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Quinta-feira, Abril 03, 2008:
Você não durou nada na minha vida
Foi tão pequeno
Foi tão moreno
Foi tão menino...
Você não durou nada, nenhum destino
Foi tão fortuito
Tão sem futuro
Foi tão franzino...
Você doeu tão pouco que eu me pergunto:
Que amor foi esse?
Que luz foi essa?
Que desatino!!!
Você não durou nada na minha vida
Foi tão pequeno
Tão sem futuro
Foi tão menino...
Carlos Brandão // 12:02 //
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Terça-feira, Abril 01, 2008:
De vez em quando posto poemas de amigos meus aqui.
Este é do Edival Lourenço, um poeta e tanto.
Chama-se Sonho de Celebridade. Eis:
O que mais posso
querer nesta hora
senão que me ocorra
uma desgraça?
Não uma desgraça
sem graça
mas uma desgraça
espetacular
que possa encantar
e mídia e pôr
minha imagem
desgraçada
no ar!
Carlos Brandão // 15:25 //
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